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sábado, setembro 29, 2012

A Santa Missa



A Santa Missão é a atualização do Mistério Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo realizado no alto da Cruz, mas de forma incruenta, ou seja, se o derramamento de sangue. A Santa Missa é o mesmo sacrifício de da cruz, não uma cópia ou uma representação, assim, um sacrifício incruento não precisa de diretores fantásticos, nem de expectadores animados, precisa de devoção, silêncio e entrega para viver o mistério renovado.
O Concilio Vaticano II iniciou um grande processo de abertura da Igreja Católica para a realidade dos povos, sua cultura, e não intenção de dar um novo ardor á pregação do Evangelho. Apesar da sua boa intenção em tentar atualizar a Igreja, os resultados deste Concílio, para alguns estudiosos, ainda não foram totalmente entendidos nos dias de hoje, enfrentando por isso vários problemas que perduram, um desses problemas é devido a celebração da Santa Missa. O Vaticano II fez grande modificações acerca da celebração do Santo Sacrificio, modificações essas que foram mal interpretadas pelos Padres e fieis., umas das modificações foi a introdução da língua vernácula na Liturgia, o uso facultativo do véu para as mulheres e a celebração do Sacrifício com o celebrante voltado para o povo.
Quando houver abalos na fé houve em geral subversões na Liturgia. As extravagâncias doutrinais dos gnósticos no século II, fizeram-nos cair em extravagâncias litúrgicas. Entre eles, Valentim servia-se dos hinos litúrgicos para neles vazar as suas doutrinas, como refere Tertuliano (...). As grandes heresias que nos séculos IV e V sacudiram a Igreja, buliram também a Liturgia. E assim ao longo de toda a história da Igreja. Hoje a grande extravagância que ocorre a é alguns padres e fieis querem transformar a Santa Missa – sacrifício renovado da cruz – em um show, um espetáculo fantástico, onde eu controlo e ela deve adaptar-se a minha vontade e ás minhas condições – e o pior de tudo é que alguns dizem que essa foi à proposta do Vaticano II. Mas o que o Vaticano II quis propor foi um acesso livre aos tesouros da fé por parte dos fieis. Podemos dizer que antes os fieis tinha que se submeter à Verdade da Igreja, não que hoje seja diferente, mas hoje a Igreja busca como Mãe que caminha junto aos seus filhos educa-los na fé e leva-lo ao conhecimento da Verdade através de uma compreensão e aceitação de livre vontade.
Desde que assumiu a Cátedra de Pedro o Sumo Pontífice Bento XVI tem buscar renovar o espirito litúrgico da Igreja, e em relação a esses abusos cometidos, principalmente por parte de alguns padres, em relação a celebração do Santo Sacrifício ele nos diz:
“A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de REPETIÇÕES SOLENES. Não deve exprimir a ATUALIDADE e o seu EFÊMERO, mas o mistério do Sagrado.” - Benedictus PP. XVI
Vocês podem estar se perguntando porque enfatizo que os maiores “culpados” pelos exageros e até muitas vezes absurdos cometidos na Liturgia, principalmente na renovação do Santo Sacrifício, são os Padres. Digo que são os Padres porque eles são responsáveis pela Comunidade paroquial, diocesana e consequentemente universal. Pois se os Padres “baseados” na doutrina exposta pelo Vaticano II incentivam esses espetáculos fantásticos essas criações mirabolantes durante a Santa Missa, como os fieis iram tomar uma consciência que o que se realiza ali, diante dois seus próprio olhos, é o mistério da Cruz?
Esse ano celebramos 50 anos do Concilio Vaticano II, e por essa ocasião iremos viver o Ano da Fé convocado por Sua Santidade Bento XVI, esse se iniciará no dia 11 de outubro e via até a Solenidade de Cristo Rei do Universo – 23 de novembro de 2013. Esse ano da fé tem o desejo de levar os fieis a redescobrirem, ou melhor, descobrirem o verdadeiro espirito do Vaticano II e de como expressar verdadeiramente a minha fé – sem exageros ou coisas mirabolantes.


Não precisamos de coisas fantásticas para expressar a nossa fé, pois a vontade de Deus é “que creiamos naquele que Ele enviou” (Jo 6,29). Vivamos o mistério da Santa Missa como se estivéssemos no calvário ao lado da Santissima Virgem das Dores – e lá estamos, pois o calvário é trazido até nós; “Durante a Missa o Senhor é levantado, a árvore da Cruz se levanta e o Senhor é erguido. A elevação da Missa é elevação do Cristo no Calvário.” (Pe. Roberto Littiere). Durante a Missa o sacerdote é o Cristo, é o persona Cristo, e não um direitor de cinema, teatro, novelas ou espetáculos. A Santa Missa não pode transforma-se em reunião fraterna, pois o mistério do Calvário não pode ser subvertido ou diminuído. Hoje é tudo muito automático, muito frio, alguém manda eu faço, ou eu achou bonito e faço.
Nos últimos meses durante suas celebrações na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI, através do seu porta voz, pediu aos fieis que não agitassem as bandeiras nem batessem palmas, mas conservassem o silêncio durante a santa Missa. Nesse contexto do silêncio na Santa Missa alguns se perguntam como ficará a Renovação Carismática Católica, iremos dialogar sobre essa situação na próxima postagem.




Por Jackson Silva

domingo, agosto 19, 2012

Assunção da Santissima Virgem

"A gloriosíssima Mãe de Cristo, Deus e Salvador nosso, dador da vida e da imortalidade, foi glorificada e revestida do corpo na eterna incorruptibilidade, por aquele mesmo que a ressuscitou do sepulcro e a chamou a si duma forma que só ele sabe"


Hoje celebramos a Grande festa da dormição da Santissima Virgem Maria. Maria "a cheia de graça", a única criatura preservada por Deus da mancha original do pecado.

Na Igreja celebramos 4 grandes solenidades em honra de Maria Santissima: a Natividade, a Anunciação, a Purificação e a Dormição. Maria é aquela que é apresentada como modelo de perfeição, a obra acabada de Deus. Aquela que foi preservada antes, durante e após o parto, não poderia, na ordem da graça, de maneira alguma conhecer a corrupção da morte. Se Elias foi arrebato num carro de fogo, Maria Santissima foi elevada ao céu pelo seu único Filho, Nosso Senhor. Com esta festa não comemoramos somente a incorrupção do corpo morto da Santíssima Virgem, mas principalmente o triunfo por ela alcançado sobre a morte e a sua celeste glorificação à semelhança do seu Filho unigênito, Jesus Cristo.

A Igreja não criou algo, "uma verdade", mas o Espirito Santo agiu d emaneira particular na expressão da fé do povo. Assim a Sé Apostólica, herdeira do múnus confiado ao Príncipe dos apóstolos de confirmar na fé os irmãos, com sua autoridade foi tornando cada vez mais solene esta celebração.

"S. João Damasceno, que entre todos se distingue como pregoeiro dessa tradição, ao comparar a assunção gloriosa da Mãe de Deus com as suas outras prerrogativas e privilégios, exclama com veemente eloqüência: "Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. Convinha que morasse no tálamo celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu o seu Filho na cruz, com o coração traspassado por uma espada de dor de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus".

Maria Santissima é a Nova Arca da Aliança, a qual nos esconde O Senhor, por isso os homens não conhecerm ao Senhor, porque não conhecer a Santissima Virgem: “Por Maria Jesus Cristo vem a nós, e por Ela devemos ir a Ele.” - São Luis Maria Montfort.

Para vim o Reino de Jesus é preciso que venha o Reino de Maria. Se Nosso Senhor foi submisso a Maria durante anos na terra,sejamos então sumisso a essa tão boa Mãe. Maria é a grande medianeira entre Deus e os homens, nosso irmãos protestantes negam essa verdade por ignorância. A saber, Nosso Senhor Jesus Cristo é o único mediator de salvação entre Deus e os homens, mas a Virgem Maria e todos os santos de Deus são mediatores de intercesão entre Deus e os homens - pois se podemos rezar pelos outros, porque a Santissima Mãe de Deus que achou graça diante de Deus não pode.

Peçamos a Santissima Virgem, assunta ao céus que interceda por nós!



Gaude, Maria Virgo!
Gaude Millies! 

terça-feira, junho 05, 2012

Milagres Eucaristicos


Em preparação para a Solenidade de Corpus Christi apresento algums milagres extraordinário da Santissima Eucaristia:


Lanciano – Itália – no ano 70


Em Lanciano – séc. VIII. Um monge da ordem de São Basílio estava celebrando na Igreja dos santos Degonciano e Domiciano. Terminada a Consagração, que ele realizara, a hóstia transformou-se em carne e o vinho em sangue depositado dentro do cálice. O exame das relíquias, segundo critérios rigorosamente científicos,, foi efetuado em 1970-71 e outra vez em 1981 pelo Professor Odoardo Linoli, catedrático de Anatomia e Histologia Patológica e Química e Microscopia Clínica, Coadjuvado pelo Professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena. Resultados:

1) A hóstia é realmente constituída por fibras musculares estriadas, pertencentes ao miocárdio.

2) Quanto ao sangue, trata-se de genuíno sangue humano. Mais: o grupo sangüíneo ‘A’ que pertencem os vestígios de sangue, o sangue contido na carne e o sangue do cálice revelam tratar-se sempre do mesmo sangue grupo ‘AB’ (sangue comum aos Judeus). Este é também o grupo que o professor Pierluigi Baima Bollone, da universidade de Turim, identificou no Santo Sudário.

3) Apesar da sua antigüidade, a carne e o sangue se apresentam com uma estrutura de base intacta e sem sinais de alterações substanciais; este fenômeno se dá sem que tenham sido utilizadas substâncias ou outros fatores aptos a conservar a matéria humana, mas, ao contrário, apesar da ação dos mais variados agentes físicos, atmosféricos, ambientais e biológicos.


Orvieto – Bolsena – Itália – 1263: 

 Jesus tinha pedido à Beata Juliana de Cornillon (†1258) a introdução da festa de “Corpus Domini” no calendário litúrgico da Igreja. O Pe. Pedro de Praga, da Boêmia, celebra uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, e então, ocorre o milagre: da hóstia consagrada caem gotas de sangue sobre o corporal… O Papa Urbano IV (1262´1264), residia em Orvieto e ordena ao Bispo Giacomo levar as relíquias de Bolsena a Orvieto. O Papa emitiu a Bula Transiturus de mundo, em 11/08/1264, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, seja celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Em 1290 foi construída a Catedral de Orvieto, chamada de “Lírio das Catedrais”.


Ferrara – 28/03/1171


Aconteceu este milagre na Basílica de Santa Maria in Vado, no século XII. Propagava-se com perigo a heresia de Berengário de Tours (†1088), que negava a Presença real de Cristo na Eucaristia. Aos 28 de março de 1171, o Pe. Pedro de Verona, com três sacerdotes celebravam a Missa de Páscoa; no momento de partir o pão consagrado, a Hóstia se transformou em carne, da qual saiu um fluxo de sangue que atingiu a parte superior do altar, cujas marcas são visíveis ainda hoje. Há documentos que narram o fato: um “Breve’ do Cardeal Migliatori (1404). – Bula de Eugênio IV (1442), cujo original foi encontrado em Roma em 1975. Mas, a descoberta mais importante deu-se em Londres, em 1981, foi encontrado um documento de 1197 narrando o fato.


Offida – Itália – 1273


Ricciarella Stasio – devota imprudente, realizava práticas supersticiosas com a Eucaristia; em uma dessas profanações, a Hóstia se transformou em carne e sangue. Foram entregues ao pe. Giacomo Diattollevi, e são conservadas até hoje. Há muitos testemunhos históricos sobre este fato.


Sena – Cáscia – Itália – 1330


Hoje este milagre é celebrado em Cássia, terra de Santa Rita de Cássia. Em 1330, um sacerdote foi levar o viático a um enfermo e colocou indevidamente, de maneira apressada e irreverente, uma Hóstia dentro do seu Breviário para levá-la ao doente grave. No momento da Comunhão, abriu o livro e viu que a Hóstia se liquefez e, quase reduzida a sangue, molhou as páginas do Livro. Então o sacerdote negligente apressou-se a entregar o livro e a Hóstia a um frade agostiniano de Sena, o qual levou para Perúgia a pagina manchada de sangue e para Cáscia a outra página onde a Hóstia ficou presa. A primeira página perdeu-se em 1866 mas a relíquia chamada de “Corpus Domini” é atualmente venerada na basílica de Santa Rita.


Turim – Itália – 1453


Na Alta Itália ocorria uma uma guerra furiosa pelo ducado de Milão. Os Piemonteses saquearam a cidade; ao chegarem a Igreja, forçaram o Tabernáculo. Tiraram o ostensório de prata, no qual se guardava o corpo de Cristo ocultando-no dentro de uma carruagem juntamente com os outros objetos roubados, e dirigiram-se para Turim. Crônicas antigas relatam que, na altura da Igreja de São Silvestre, o cavalo parou bruscamente a carruagem – o que ocasionou a queda, por terra, do ostensório – o ostensório se levantou nos ares “com grande esplendor e com raios que pareciam os do sol”. Os espectadores chamaram o Bispo da cidade, Ludovico Romagnano, que foi prontamente ao local do prodígio. Quando chegou, “O ostensório caiu por terra, ficando o corpo de Cristo nos ares a emitir raios refulgentes”. O Bispo, diante dos fatos, pediu que lhe levassem um cálice. Dentro do cálice, desceu a hóstia, que foi levada para a catedral com grande solenidade. Era o dia 9 de junho de 1453. Existem testemunhos contemporâneos do acontecimento (Atti Capitolari de 1454 a 1456). A Igreja de “Corpus Domini” (1609), que até hoje atesta o prodígio.


Sena – Itália – 1730


Na Basília de São Francisco, em Sena, pátria de Santa Catarina de Sena, durante a noite de 14 para 15 de março de 1730, foram jogadas no chão 223 hóstias consagradas, por ladrões que roubaram o cibório de prata onde elas estavam. Dois dias depois, as Hóstias foram achadas em caixa de esmolas misturas com dinheiro. Elas foram limpadas e guardadas na Basílica de São Francisco; ninguém as consumiu; e logo o milagre aconteceu visto que com o passar do tempo as Hóstias não se estragaram, o que é um grande milagre. A partir de 1914 foram feitos exames químicos que comprovaram pão em perfeito estado de conservação.


Milagre Eucarístico de Santarém – Portugal (1247)


Aconteceu no dia 16 de fevereiro de 1247, em Santarém, 65 km ao norte de Lisboa. O milagre se deu com uma dona de casa, Euvira, casada com Pero Moniz, a qual sofrendo com a infidelidade do marido, decidiu consultar uma bruxa judia que morava perto da igreja da Graça. Esta bruxa prometeu-lhe resolver o problema se como pagamento recebesse uma Hóstia Consagrada. Para obter a Hóstia, a mulher fingiu-se de doente e enganou o padre da igreja de S. Estevão, que lhe deu a sagrada Comunhão num dia de semana. Assim que ela recebeu a Hóstia, sem o padre notar, colocou-a nas dobras do seu véu. De imediato a Hóstia começou a sangrar. Assustada, a mulher correu para casa na Rua das Esteiras, perto da Igreja e escondeu o véu e a Hóstia numa arca de cedro onde guardava os linhos lavados. À noite o casal foi acordado com uma visão espetacular de Anjos em adoração à sagrada Hóstia sangrando. Varias investigações eclesiásticas foram feitas durante 750 anos. As realizadas em 1340 e 1612 provaram a sua autenticidade. Em 5 de abril de 1997, por decreto de D. Antonio Francisco Marques, Bispo de Santarém, a Igreja de S. Estevão, onde está a relíquia, foi elevada a Santuário Eucarístico do Santíssimo Sangue.


Faverney, na França, em 1600


O Milagre Eucarístico que aconteceu em Faverney, na França consistiu numa notável demonstração sobrenatural de superação da lei da gravidade. Faverney está localizado a 20 quilômetros de Vesoul, distante 68,7 quilômetros de Besançon.Um dos noviços chamado Hudelot, notou que o Ostensório que se encontrava junto Santíssimo Sacramento sobre o Altar, elevou-se e ficou suspenso no ar e que as chamas se inclinavam e não tocavam nele. Os Frades Capuchinhos de Vesoul também apressaram-se para observar e testemunhar o fenômeno. Embora os monges com a ajuda do povo, conseguiram apagar o incêndio que queria consumir toda a Igreja, o Milagre não cessou, o Ostensório com JESUS Sacramentado continuou flutuando no espaço.


Em Stich, Alemanha, 1970


Na região Bávara da Alemanha, junto à fronteira suíça, em 9 de junho de 1970, enquanto um padre visitante da Suíça estava celebrando uma Missa numa capela, uma série incomum de eventos aconteceu. Depois da Consagração, o celebrante notou que uma pequena mancha avermelhada começou a aparecer no corporal, no lugar onde o cálice tinha estado descansando. Desejando saber se o cálice tinha começado a vazar, o padre correu a mão dele debaixo do cálice, mas achou-o completamente seco. A esta altura, a mancha crescera, atingindo o tamanho de uma moeda de dez centavos. Depois de completar a Missa, o padre inspecionou todo o altar, mas não conseguiu encontrar qualquer coisa que pudesse ser remotamente a fonte da mancha avermelhada. Ele trancou o corporal que apresentava a mancha num local seguro, até que pudesse discutir o assunto com o pároco.




Prof. Felipe Aquino

sábado, maio 26, 2012

O papel de Maria na descida do Espirito Santo

A igreja universal celebra a solenidade de Pentecostes, um momento em que a figura de Maria é de singular importância, revela nesta entrevista concedida a Zenit o padre Jesús Castellano Cervera, carmelita descalço, especialista em estudos marianos e consultor da Congregação vaticana para a Doutrina da Fé.

O tempo que estamos vivendo é também conclusão do tempo pascal e do mês de maio. Este tempo tem uma especial relevância mariana?


P. Castellano Cervera: O tempo compreendido entre a Ascensão e Pentecostes me parece que é um tempo particularmente mariano. O dado sublinhado nos Atos dos Apóstolos (1,14), que recorda a presença de Maria no Cenáculo, há que ser enfatizado. A iconografia antiga, a liturgia bizantina e as antigas notícias de Maria são unânimes ao recordar a Virgem Maria já no episódio da Ascensão do Senhor ao Céu.


Maria aparece com os discípulos em oração enquanto Jesus sobe ao Céu, e a Mãe se converte assim em testemunha de toda a vida humana de Cristo, desde a vinda do seio do Pai à sua maternidade e desde a ascensão ao seio do Pai com a carne tomada da Mãe.


Qual é o significado da presença de Maria entre os discípulos no Cenáculo?


P. Castellano Cervera: Penso que Jesus confiou seus discípulos a Maria antes da vinda do Espírito Santo. A Virgem Maria, na realidade, em um tempo de «vazio», quando Jesus já não está e o espírito não descendeu, todavia, parece a pessoa mais apropriada para preencher de alguma forma estas duas presenças em um momento de recordação e de espera.


De recordação porque Maria é memória vivente de Cristo, de sua vida desde o princípio, de suas palavras. Sua presença materna fala dEle em tudo. E de espera porque a Virgem Maria, qua recebeu o Espírito Santo em plenitude, converte-se em garantia e esperança de cumprimento da promessa de Jesus. Virá o Espírito prometido --parece assegurar Maria-- assim como veio sobre mim. Deus é fiel a suas promessas.


É talvez esta presença a raiz do título a Ela reconhecido: Rainha dos Apóstolos?


P. Castellano Cervera: Creio que é precisamente assim. Padres da Igreja e autores medievais dizem com clareza que Maria no Cenáculo converte-se em Mãe dos Apóstolos com seu testemunho de Cristo.


João Paulo II fala na Encíclica Redemptoris Mater, no número 26, de tal presença em meio aos discípulos de Jesus como singular testemunho do mistério de Cristo. Seu papel materno neste tempo é evidente.


Podemos pensar que as palavras de At 1, 14 refletem a obra materna de Maria, que ajuda os discípulos a «perseverar» cada dia na esperança do acontecimento prometido da vinda do Espírito, a estar «de acordo e unidos», a abrir seus corações «na oração» com uma atitude de invocação e de confiada espera. Maria molda maternalmente os apóstolos, faz deles irmãos, prepara a comunidade para acolher o Espírito Santo.


Posto que Maria já havia recebido o Espírito Santo, não era talvez para Ela supérfluo esperar Pentecostes?


P. Castellano Cervera: Maria, de acordo com as imagens mais antigas de Pentecostes, aparece aos discípulos e recebe o Espírito Santo com toda a Igreja. Sua circunstância, ligada ao mistério do Filho e sua missão, está agora indissoluvelmente unida ao mistério da Igreja.


Foram parte dela como membro excelentíssimo e como Mãe, como afirma o Concílio Vaticano II. A nova vinda do Espírito sobre Ela a une ainda mais à Igreja, sua comunhão e missão. Não é possível pensar na Igreja sem Maria e em Maria sem a Igreja.


A centralidade da Mãe de Jesus em meio aos discípulos com a mesma chama do Espírito Santo em uma atitude de acolhida do dom e de ação de graças nos fala do «perfil mariano» da Igreja, onde Ela representa a própria essência da Igreja: pura acolhida e transmissão do dom de Deus. Maria é o dever de ser da Igreja e do cristianismo, baixo a ação do Espírito Santo e em profunda comunhão com todos.

O que é a Festa de Pentecostes?

Pentecostes, do grego, pentekosté, é o qüinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos. Dessa forma, Cristo continua presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.

A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento, uma celebração da colheita (Êxodo 23, 14), dia de alegria e ação de graças, portanto, uma festa agrária. Nesta, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19, 1-16).


No Novo Testamento, o Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os discípulos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a celebração, ouviu-se um ruído, "como se soprasse um vento impetuoso". "Línguas de fogo" pousaram sobre os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas.


Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa, pois a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos.


Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras (1948-1972): "Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos". O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e lhe garante a vida e a eficácia da missão.


Dada sua importância, a celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus dons à Igreja nascente.


O Pentecostes é, portanto, a celebração da efusão do Espírito Santo. Os sinais externos, descritos no livro dos Atos dos Apóstolos, são uma confirmação da descida do Espírito: ruídos vindos do céu, vento forte e chamas de fogo. Para os cristãos, o Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal.

sábado, janeiro 28, 2012

A Castidade

Para a castidade ser compreendida, e principalmente vivida, exige um conhecimento exato e aceitação da sexualidade. Nos últimos tempos, a sociedade reduziu a palavra "sexualidade" á genitalidade, ou somente ao sexo. Relações sexuais, ou sexualidade, vai dizer a capacidade que os sexos tem de manter relações entre si, seja essa genital ou não. Além do mais, sexualidade, vai marcar aquilo que somos: homem ou mulher; distinguindo-se totalmente de órgãos genitais - a primeira (sexualidade) irá incluir a segunda (genitalidade) completando e superando grandemente.


Portanto a maturidade afetiva de uma pessoa é, pois, medida pela sua capacidade de estabelecer relações sexuais (sexualidade) - não importa se essas relações iram se traduzir ou não em relações sexuais(genitalidade). Ao contrário do que muitos pensam, a expansão da sexualidade de uma pessoa não exige relações genitais, pelo contrário, muitos problemas -  sexuais ou afetivos - que são vividos no casamento e no celibato evidenciam habitualmente dificuldades de relações com outro sexo (oposto ou igual). É nessa falta de maturidade, e principalmente de conhecimento, que vai levar muitas pessoas a associarem a castidade com a abstenção de relações sexuais genitais.


Á semelhança do animal o homem possui necessidades e instintos. O instinto é precisamente este dinamismo vital que leva o ser a agir para responder á sua necessidade. Mas já a necessidade vai tomar dois rumos: 1º a necessidade de ser no plano do individuo: eu assumo os meus desejos e vontades, e principalmente aceito a minha sexualidade, mas reconheço algo maior que a em mim, que me levar a ir á frente: estudar, trabalhar, e reconhecendo o chamado de Deus na minha vida, sigo-O, seja no casamento, no celibato, na vida religiosa ou no sacerdócio; 2º a necessidade da especie: é aqui que entra, de modo singular, a sexualidade genital - pois eu como ser humano tenho que corresponder ás necessidades do meu corpo, não somente sexual é claro, mas em tantos outros âmbitos, como comer, dormir, andar e tantas outras;


A castidade, por fim, terá seu objetivo próprio os impulsos carnais (a necessidade da espécie), pois a partir de um desejo  de doação total ao Reino de Deus, eu busco no domínio libertador destes impulsos e na autenticidade das relações sexuais a autenticidade do amor.


A castidade em sua totalidade, abrangerá todos os estados de vida (solteiros, casados) mas de maneira particular a cada um. A pessoa engajada no celibato consagrado ( o conhecido "voto de castidade") não tem por objetivo único um relação privilegiada com Deus, ela pode manter amizades eletivas, monossexuadas e heterossexuadas, se estas relaçoes se harmonizarem com o seu estado de vida, e principalmente, forem para ela fonte de libertação.






Dica: busquemos contemplar o novo rosto da Igreja hoje pelas novas comunidades, que em seu seio reúnem todos os estados de vida (casais e leigos).


terça-feira, novembro 29, 2011

Homilia do Santo Padre na abertura do Advento, novo ano liturgico.


“Hoje iniciamos com toda a Igreja o novo Ano Litúrgico: um novo caminho de fé, para vivermos juntos nas comunidades cristãs, mas também, como sempre, deve ser percorrido dentro da história do mundo, para abri-la ao mistério de Deus, à salvação que vem de seu amor”. O ano litúrgico começa com o Tempo do Advento: Um tempo maravilhoso que desperta nos corações a espera do retorno de Cristo e a memória de sua primeira vinda, quando despiu-se de sua glória divina para assumir a nossa carne mortal.

“Vigiai!” Este é o apelo de Jesus no evangelho de hoje. Se dirige não apenas aos seus discípulos, mas a todos: “Vigiai!”(Mt 13,37). É um chamado salutar que nos recorda que a vida não tem somente uma dimensão terrena, mas é projetada em direção a um “além”, como uma plantinha que brota da terra e se abre em direção ao céu. Uma plantinha que pensa, o homem, dotado de liberdade e responsabilidade, por isso cada um de nós seremos chamados a prestar contas de como vivemos e de como foram utilizadas nossas capacidades: se as retemos ou as fizemos frutificar para o bem dos irmãos.

Também Isaías, o profeta do Advento nos ajuda a refletir hoje com uma oração sincera dirigida a Deus em nome do povo. Ele reconhece as falhas do seu povo, e em um determinado momento diz: “não há ninguém que invoque o teu nome, que se erga, firmando-se em ti; porque escondeste de nós a tua face, e nos abandonaste ao capricho das nossas transgressões” (Is 64,6). Como não ser atingido por esta dissertação? Parece refletir alguns panoramas pós-modernos: a cidade onde a vida torna-se anônima e horizontal, onde Deus parece ausente e o homem o único senhor, como se o homem fosse o único criador e diretor de tudo: as construções, o trabalho, a economia, os transportes, a ciência, a técnica, tudo parece depender somente do homem. Às vezes, neste mundo que parece quase perfeito, acontecem coisas chocantes, na natureza ou na sociedade, que nos leva a pensar que Deus tenha se retirado, que tenha, por assim dizer, nos abandonado.

Na verdade, o verdadeiro “dono” do mundo não é o homem, mas Deus. O Evangelho fala: “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de improviso, não vos encontre dormindo” (Mc 13,35-36). O tempo do Advento vem todos os anos para nos recordar isto, para que a nossa vida reencontre um senso justo, em direção a face de Cristo. A face não de um “patrão”, mas de um Pai e de um Amigo. Com a Virgem Maria, que nos conduz no caminho do Advento, façamos nossas as palavras do profeta.     “Tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos" (Is 64,7).

(Após o Ângelus)

Amanhã começam em Durban, na África do Sul, os trabalhos da Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas e o Protocolo de Kyoto. Espero que todos os membros da comunidade internacional, concordem com uma resposta responsável, confiável e solidária a este complexo e preocupante fenômeno, levando em consideração as exigências das populações mais pobres e das futuras gerações.

(Saudação em português)

Saúdo com particular afeto os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta oração do Angelus, nomeadamente os fiéis vindos de Lisboa e de Setúbal. O tempo do Advento convida-nos a fazer nossa a primeira vinda do Filho de Deus a fim de nos prepararmos para o seu regresso glorioso. Neste sentido, tomai por modelo e intercessora a Virgem Maria. E que Deus vos abençoe!
(Tradução:Maria Emília Marega)

segunda-feira, novembro 28, 2011

A Oração


“Se alguém necessita de sabedoria, peça a Deus, que a concede fartamente a todos” 
(Tiago 1,5)


A oração sempre esteve e sempre estará presente na vida da Igreja, e principalmente na vida do homem. Ela é o meio pelo qual o homem consegui sustertar-se nesse exilio, pois sem o socorro da graça nada podemos fazer. Ora, a oração não é também o único caminho de salvação? Não me refiro aqui, tão somente, a longos momentos de adoração, meditação, mas também, e de modo singular, ás boas obras. São Tiago irá nos exortar que a fé sem obra é morta, do mesmo jeito que o corpo sem a alma para nada serve, então a oração é a vida da alma, seja ela nos clustros dos grandes mosteiros ou nas calçadas com os mais pobres.
Para a alma amante, a oração é a escuta da voz do Amado: "Faz-me ouvir a tua voz" (Canticos 8,13); pela qual o seu Amado lhe forma ela se deleita nele. Em nossos corações já existe a centelha da oração, é preciso não deixa-lá apagar, pois sem calor morreremos.

A oração é a vida da alma, logo Deus é a Vida da vida, como Santa Paula Fransinette vai dizer: "Eis a vida da minha vida!". Nosso Senhor mesmo nos exorta: "Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15,5). Vivamos dele e voltemos ao Senhor, Vida de nossas vidas.

Não pode o homem ter duas almas, ou seja, viver do mundo, e viver de Deus: "Aquele que se torna amigo de Deus, se torna amigo do mundo." E como nos exorta São Tiago a voltar nossos corações a Deus e purificar-nos:

"Achegai-vos ao Senhor e ele a vós se achegará" 
(Tiago 4,8)

domingo, outubro 30, 2011

O homem: esse louco que não reza!

A oração. O homem não é plenamente consciente da potência desse instrumento que está no alcance de suas mãos; e dizemos com segurança que não o conhece, pois do contrário usaria com mais frequência.

"Através da oração, falamos com Deus e Deus fala conosco, aspiramos a ele e respiramos nele, e ele nos inspira e respira em nós", disse São Francisco de Sales, em seu Tratado de Amor a Deus. A oração é, portanto, um viver em Deus. Daí que se entende quando se fala que a oração, feita nas devidas condições, move o coração de Deus. E quem tem a capacidade de mover a Deus pode se unir à capacidade onipotente Dele.

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Portanto, dizemos que o problema dos cristãos não é que não têm conhecimento - implícito ou explícito - do altíssimo poder da oração. Mas muitas vezes a agitação do cotidiano, o que chamaríamos de "naturalismo vivencial" causado pela impregnação dos critérios do mundo, - nos afasta da utilização necessária para se falar com Deus, nos faz esquecer a sua importância vital.

As preocupações do cotidiano, do trabalho, da atenção com a família, as exigências da vida social, parecem servir-nos de desculpas para tirar do nosso tempo esses minutos necessários para nos reunirmos com o Criador.

Mas cremos que o problema de fundo é que o naturalismo do mundo vai penetrando de forma imperceptível em nossas almas e nos vai fazendo esquecer que necessitamos recorrer constantemente a Deus, e confiar menos em nossas forças meramente humanas.

Aberta ou veladamente, o mundo nos "grita" que as coisas ocorrem simplesmente por causa daquelas forças naturais que podemos perceber com nossos sentidos. E isso é mentira. Muito acima do que um simples homem é capaz de fazer, está a ação de Deus e seus santos, por meio de sua graça e a atividade dos anjos bons e maus. 

Estes são os elementos que primordialmente dirigem a história, também a nossa história pessoal, e a todos eles se aceita ou se rejeita por meio da oração.

De quantas calamidades não nos teremos vistos livres porque nosso anjo da guarda nos protegeu, ou porque a rogos da Virgem Maria, Cristo interveio em um momento decisivo? Quantos são os benefícios que recebemos, não porque os tenhamos obtido com nosso esforço ou merecido de alguma maneira, mas que nos foi dado gratuitamente pelas mãos divinas, porque alguém rezou por nós? Muitos, certamente. Saberemos no dia de nosso juízo.

Entretanto,se é certo que Deus pode nos auxiliar sem que o peçamos, Ele normalmente exige esta imprecação que, além do mais, nos une a Ele. E existe algo que definitivamente não se consegue se não for com o recurso da oração: a prática da virtude, requisito necessário para alcançar a vida eterna.

Não podemos viver como devemos viver sem a graça obtida pela oração. Não podemos, é necessário repetir. "Nossas meras forças naturais são insuficientes". Isso é algo que tem que ser gravado com letras de bronze fundido no espírito. Ainda que nosso orgulho e autossuficiência busquem cobrir esta verdade, ela sempre será confirmada pelo fracasso de uma vida que não recorreu à oração.

Então, para contradizer essa voz tênue ou forte --externa e interna-- que repete sem cessar que não necessitamos da oração, devemos encontrar e lembrar constantemente as razões para orar, para rezar, seja participando da oração litúrgica ou realizando a oração privada.
E para isso reproduziremos dois textos escolhidos de santos, do elenco que apresenta o ilustre dominicano Frei Antônio Royo Marin em sua importante obra "Teologia da Perfeição Cristã":

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- São Boaventura: Se queres sofrer com paciência as adversidades e misérias desta vida, seja homem de oração. Se queres alcançar virtude e fortaleza para vencer as tentações do inimigo, seja homem de oração. (...) Se queres viver alegremente e caminhar com suaivdade pelo caminho da penitencia e do trabalho, seja homem de oração. (...) Se queres fortalecer e confirmar teu coração no caminho de Deus, seja homem de oração. Finalmente, se queres desarraigar de alma todos os vícios e plantar em seu lugar as virtudes, seja homem de oração: porque nela se recebe a união e a graça do Espírito Santo, a qual ensina todas as coisas. E além disso, se queres subir até a altura da contemplação e gozar dos doces abraços do esposo , exercite na oração, porque este é o caminho por onde a alma sobe até a contemplação até o gosto das coisas celestiais.

- São Pedro de Alcântara: Na oração a alma se limpa dos pecados, apascenta-se a caridade, certifica-se a fé, fortalece-se a esperança, alegra-se o espírito, derrete-se as entranhas pacifica-se o coração, descobre-se a verdade, vence-se a tentação, foge a tristeza, renovam-se os sentidos, repara-se a virtude enfraquecida, despede-se a tibieza, consome-se a origem dos vícios, e nela saltam centelhas vivas de desejos do céu, entre as quais arde a chama do divino amor. Grandes são as excelências da oração, grandes são seus grandes privilégios. Para ela estão abertos os céus, para ela se descobrem os segredos, e a para ela estão sempre atentos os ouvidos de Deus.



Por Saúl Castiblanco

sexta-feira, outubro 21, 2011

Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo

A oração do Senhor

Temos necessidade de palavras para incitar-nos e ponderarmos o que pediremos, e não com a intenção de dá-lo a saber ao Senhor ou a comovê-lo.

Quando, pois, dizemos: Santificado seja o teu nome, exortamo-nos a desejar que seu nome,
imutavelmente santo, seja também considerado santo pelos homens, isto é, não desprezado.
O que é de proveito para os homens, não para Deus.

E ao dizermos: Venha teu reino que, queiramos ou não, virá sem falta, acendemos o desejo
deste reino; que venha para nós e nele mereçamos reinar.

Ao dizermos: Faça-se a tua vontade assim na terra como no céu, pedimos-lhe conceder-nos esta obediência de sorte que se faça em nós sua vontade do mesmo modo como é feita
no céu por seus anjos.

Dizemos: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Pela palavra hoje se entende este nosso
tempo. Ou, com a menção da parte principal,indicando o todo pela palavra pão, pedimos
aquilo que nos basta. O sacramento dos fiéis, necessário agora, não, porém, para a
felicidade deste tempo, mas para alcançarmos a felicidade eterna.

Dizendo: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos a nossos devedores,
tomamos consciência do que pedimos e do que temos de fazer para merecer obtê-lo.
Ao dizer: Não nos leves à tentação, advertimo-nos a pedir que não aconteça que, privados
de seu auxílio em alguma tentação, iludidos, consintamos nela, ou cedamos perturbados.

Dizer: Livra-nos do mal nos leva a pensar que ainda não estamos naquele Bem em que não
padeceremos de mal algum. E este último pedido da oração dominical é tão amplo, que o
cristão em qualquer tribulação em que se veja, por ele pode gemer, nele derramar lágrimas, daí começar, nele demorar-se, nele terminar a oração. É preciso guardar em nossa memória, por meio destas palavras, as realidades mesmas.

Pois quaisquer outras palavras que dissermos – tanto as formadas pelo afeto que as precede e esclarece, quanto as que o seguem e crescem pela atenção dele – não dirão nada que não se encontre nesta oração dominical, se orarmos como convém. Quem disser algo que não possa ser contido nesta prece evangélica, sua oração, embora não ilícita, é carnal; contudo não sei como não ser ilícita, uma vez que somente de modo espiritual devem orar os renascidos do Espírito.

domingo, setembro 04, 2011

O Sofrimento é uma arte!‏‏

O Sofrimento é uma arte que devemos ter urgência em aprender, pois é uma realidade que faz parte de nossa existência humana. Quando sofremos estamos perto de Deus! Não que Deus esteja presente no sofrimento, mas, quando sofremos Ele cuida de nós. Os maiores cuidados de Deus encontrei no leito da dor.
Santa Teresa de Ávila nos lembra que “antes de dar o sofrimento, Deus dá a paciência”, isso significa que somos capacitados para lidar com o sofrimento, ele não é e nem pode ser o fim de tudo. A dor é uma grande ferramenta de crescimento, quando nos apoiamos no sofrimento alcançamos graças inexplicáveis. O sofrimento quando bem vivido tem a finalidade de nos levar a perfeição cristã. Escutemos o que diz o pensador Francês Antoine de Saint-Exupéry: “a perfeição não é alcançada quando não há mais nada a ser incluído, a perfeição é alcançada quando não há mais nada a ser retirado”, ou seja, a perfeição consiste no pleno esvaziamento, quando não se resta mais nada do nosso “EU”, Deus se faz presente. Afirmamos todos os dias que amamos a Deus, mas quando o sofrimento bate a nossa porta não é bem assim o nosso discurso. O sofrimento nos coloca no chão, nos faz pessoas derrotadas. O sofrimento se nutre de nossa fraqueza, angustia e medo, torna-se mais forte do que já é, um gigante. O rei David diante do gigante não estremeceu, mas na confiança do Senhor conseguiu derrotá-lo. Qual é o gigante que tem nos aterrorizado? Com qual força ele tem se levantado em nossa vida? Não importa, Deus é maior que todos os gigantes, com Deus o sofrimento ganha um novo sentido, como a Cruz, que de maldita se tornou em Cristo Sinal de nossa Salvação, penhor de nossa redenção. O verdadeiro amor nunca se desgasta, quanto mais se dá mais se tem. Gosto muito de Jacques Maritain, um filosofo neo-tomista que dizia que o “sinal de maturidade humana é aceitar o desafio do sofrimento”, pois o sofrimento não é algo que faz parte de uma espécie de destino, mas diante deste fato presente o que nos resta é esperar em Deus crendo que é permissão Dele para nosso crescimento. “É o sofrimento, só o sofrimento, que abre o homem a compreensão interior” (Gandhi). “Só o amor me atrai, só o abandono me guia”. Grande descoberta de Santa Teresinha em sua busca de santidade, no caminho da pequena via esta santa descobre que a solidão é uma particularidade do sofrimento. Quando sofremos sentimos que Deus nos abandonou, que está fugindo de nós, como se estivéssemos brincando de “esconde-esconde”. A dor é tanta que nos sentimos “abortados” por Deus, renegados, e assim como João da Cruz nossa alma chora “Aonde te escondeste, Amado, e me deixaste num gemido? Como um cervo fugiste havendo-me ferido, atrás de ti clamei: tinhas partido!”. Podemos sofrer no deserto e, no entanto, amá-lo, de resto, é por causa desse sofrimento que O amamos. O sofrimento não é um bom momento de decidir a vida, nem coisas importantes dela, mas é hora de silenciar e escutar a voz de Deus que ecoa em nosso coração. No dia 05/06/09 escutei de meu Amado Fundador que sofrimento tem começo e tem fim, e isso tem sido consolo nas horas difíceis, aprendi que a “noite escura” passa, e ao passar não poderá levar minhas opções primordiais, por exemplo, a minha vocação. “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. “Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (II Coríntios 12,10). Deus muitas vezes nos joga ao chão como ultima tentativa de nos fazer alguém melhor, isso é o amor desesperado de Deus por nós. O Senhor nos apresenta o nosso “nada” para nos lembrar a nossa dignidade de filhos, caímos num profundo desespero presos ao chão, mas basta olharmos para cima e veremos um Deus que é Pai, pois está a todo tempo inclinado sobre nossas fragilidades. “Onde a mão sente a picada dos espinhos, os olhos descobrem um ramo de rosas esplêndidas, cheias de aroma”. (São Josemaria Escrivá) Continuo afirmando que o sofrimento é uma arte, onde cada homem descobre que é maior que uma realidade presente. Não anulemos a nossa Cruz diária, precisaremos dela para entender a dor, quando constantemente afirmamos que Deus é amor!

 
Ir. Raphael Estevão da Santa Cruz, PJC.
Forania Nossa Senhora da Assunção – São Paulo.